É a paisagem que nos diz onde estamos, o que precisamos e o que nos falta. Se eu estou no meio de uma selva mas ainda não percebi, então vou acabar na boca de um crocodilo ou mordido por uma serpente.
O gestor não precisa de andar a fazer muitas perguntas: aprende através da análise do contexto. O gestor previne-se porque já viu muitas "paisagens" e sabe o que cada uma delas implica. O gestor, em suma, é um conhecedor da realidade.
Conhecer a realidade implica distinguir o que é, o que existe mesmo, daquilo que nós gostavamos que existisse. Quando a realidade é desagradável torna-se difícil aceitar a sua existência; mas, se somos gestores, temos que habituar-nos a ver o mau e o bom, não apenas o bom. Desta capacidade é que nasce o acerto na previsão. O gestor não pode ser como aquele que só quando o alçapão se abriu é que percebeu que tinha uma corda à volta do pescoço.
E é também por isso que o gestor passa a vida a tentar adivinhar o que pensa a pessoa que tem diante de si, em vez de perder tempo a imaginar coisas ou a remirar-se a si mesmo.
Portanto, na vida dos futuros gestores tem que haver MAIS
- olhar para fora, observar, reparar, compreender, compadecer-se, ajudar, cooperar (desenvolver o sentido da realidade mas, para o gestor, a realidade é só o que está do lado de fora).
- olhar para dentro, recrear-se nos sentimentos próprios, sentir pena de nós mesmos, sentir orgulho em nós mesmos, falar, falar de nós, falar do que os outros falam de nós (ninguém fala de nós, essa é a verdade - e ainda bem!) choramingar, queixar-se, inventar desculpas para os fracassos, alhear-se ou fugir do que desagrada, gozar com os erros dos outros....
Se desaparecesses agora, notava-se? Ou só mesmo lá em casa? Ou talvez nem isso? Queres mesmo ser gestor, executivo, realizador, ou não era melhor dedicares-te a outra profissão?
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