Primeiro, um pouco de história.
A sociedade da informação começou, ela própria, por ser uma realidade virtual, um desejo sem grande correspondência no real. E só se tornou realidade palpável, com significado económico, mercê de uma cadeia de eventos ocasionais e imprevisíveis.
Sim, a sociedade da Informação aconteceu quase por acaso, quase por obra de um feliz acaso. Já em finais da década dos 70 existiam pequenos computadores e o seu uso era até bastante generalizado entre indivíduos: académicos e cientistas usavam os PDP da Digital, curiosos ou adolescentes com propensão para a programação tinham à sua disposição os Apple II e os minúsculos Sinclair, e existiam ainda processadores de texto dedicados, com bastante saída entre quem precisasse de escrever. O mundo empresarial e o das instituições em geral, ignorava esses brinquedos—excepto talvez os processadores de texto.
O início da enorme expansão no uso de computadores e redes de dados deu-se com a invenção da folha de cálculo. Foi assim: para melhor poderem discutir casos financeiros e construir mapas previsionais, dois estudantes de MBA em Harvard resolveram fazer uso dos seus conhecimentos de programação para criarem, num Apple II, o que viria a ser conhecido como o “Visicalc”, a primeira folha de cálculo e o antecessor de todo o “software” de escritório. Foi grande o sucesso do Visicalc. Poucos anos volvidos, já o mundo empresarial, o dos directores financeiros, analistas, tesoureiros, auditores… tinha aderido à folha de cálculo; já os principais construtores de computadores tinham lançado versões de escritório; já tinham nascido as primeiras grandes empresas dedicadas ao retalho de software--a Lotus, a Microsoft, a Norton e tantas outras.
Na orígem da forte aceitação dos computadores pessoais por parte das empresas está portanto a invenção da folha de cálculo.
A partir da altura em que os computadores entraram no escritório, teve realmente início um processo conducente à sociedade da informação. Com as folhas de cálculo e processadores de texto vieram os sistemas operativos com “front end” gráfico e estes, por sua vez, possibilitaram o uso de “browsers” na Worldwide Web (WWW). Teriam que passar ainda alguns anos de crescimento até que a WWW se transformasse no fenómeno social que hoje é. Mas ninguém já duvidava de que esse crescimento se iria dar.
É duvidoso que tudo se tivesse passado desta forma e com tanta rapidez se não tivesse sido inventado um produto com tanta e tão rápida aceitação como a filha de cálculo. Foi esta aceitação que mostrou aos empreendedores o interesse económico dos “instrumentos” de software com uso geral, em oposição a programas dedicados. E tal descoberta, imediatamente levada às últimas consequências, foi o que criou o ambiente de trabalho tal como o conhecemos.
E na origem da folha de cálculo esteve o quê? Um tipo de inventor versado em duas áreas bem distintas, Programação e Finanças; e capaz de usar a fundo os seus conhecimento de uma delas em proveito da outra. Nunca o esqueçamos: na origem desse fenómeno social que é a moderna sociedade da informação, está a inter-disciplinaridade: saber fazer DUAS coisas bem.
E nós, que queremos ser gestores? Bom, não queria assustar ninguém, mas a verdade é que vamos precisar de ser ainda mais versáteis, mais inter-disciplinares, do que esses inventores. Precisaremos de saber fazer bem, não duas mas umas SETE coisas: contabilidade, finanças, marketing, gestão de recursos homanos, estratégia, produção & logística, sistemas...
Que achas? Não eras tu que tinhas aprendido que a especialização é a chave do progresso económico?
segunda-feira, 21 de abril de 2008
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1 comentário:
Seria agradável que tudo fosse tão linear. Infelizmente, para meu conforto, não é suficiente possuir os conhecimentos que nos são transmitidos ao longo destes três anos. Considero ser de extrema importância ter uma maturidade mental à altura dos acontecimentos, algo que nos dê a vantagem no mundo competitivo em que vivemos, algo como… pensar. Aprender com quem nos tenta ensinar, sim, mas estar ciente que todos os métodos, conceitos e teorias podem ser melhoradas, e não usá-las como principio básico e imutável, e este talvez não seja somente um erro dos alunos, mas também do sistema de ensino em si, que não tem armas para combater a preguiça intelectual associada a grande parte do mundo universitário. São necessários seres pensantes e arrojados, capazes do “think outside the box”, e não autónomos com códigos de barras, exactamente iguais entre si, sem qualquer utilidade, além da precária medianice que nos assola.
Talvez, em plano de fundo, seja necessário saber fazer essas sete coisas bem, mas falta-nos tudo o resto. Atingir as potencialidades de cada um deveria ser uma realidade, e não um acontecimento “aleatório” dos esquecidos camaradas de curso, se é que tal evento está presente em cada um de nós. Resta esperar para ver. Cada finalista terá a sua percepção da realidade, agora toldada pelo ensino que acabou de receber. A minha esperança reside no futuro, onde se poderão observar todos os desenvolvimentos e registar acontecimentos para, ainda mais tarde, capacitar outros de tal forma a que as listas pretas-e-brancas desapareçam, tornando cada indivíduo plenamente possuidor da sua arma mais devastadora: a própria mente.
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