segunda-feira, 21 de abril de 2008

O papel da racionalidade nas Ciências Sociais (Traduzido de Herbert Simon)

As Ciências Sociais sofrem de esquizofrenia aguda no seu tratamento da racionalidade.

Num extremo estão os Economistas: eles atribuem ao homem económico uma racionalidade presciente e exagerada. O homem económico tem um sistema de preferências completo e consistente e isso permite-lhe escolher sempre, sem a mínima hesitação, a melhor alternativa; está também completamente consciente de quais essas alternativas são; não há limite para a complexidade das operações matemáticas que pode realizar com o fim de descobrir a tal alternativa melhor; o cálculo de probabilidades não é difícil nem misterioso para ele.

No decurso da última geração, a teoria económica atingiu um refinamento verdadeiramente Tomista, com grande apelo intelectual e estético mas muito pouca relação com o comportamento actual e possível do homem de carne e osso.

No outro extremo, encontramos as tendências da Psicologia Social, quase todas oriundas de Freud, que tentam reduzir todo o conhecimento a emoções e afectos. Assim, descobre-se que a mesma moeda parece grande a crianças pobres mas pequena a crianças ricas; qua a pressão do grupo social pode chegar a persuadir as pessoas de que estão a ver realmente manchas na parede, manchas essas que nunca existiram; que o processo de tomada de decisões em grupo requer a acumulação e a libertação de tensões; e por aí fora.

A passada geração de cientistas do comportamento esteve muito ocupada a seguir Freud até às últimas consequências. Acabaram por concluír, ao contrário do que afirmam os Economistas, que as pessoas não são tão racionais como pensavam que eram.

Talvez que a próxima geração venha a descobrir que as pessoas, afinal, são muito mais racionais do que nós agora julgamos - mas com uma racionalidade menos grandiosa, menos perfeitinha, do que aquela sonhada hoje pelos Economistas.

Este texto foi escrito por Herbert Simon num comentário ao seu livro "Administrative Behaviour" (1956), um clássico com grande interesse para gestores.

1 comentário:

gamilici disse...

Como as pessoas não são tão racionais,ou pelo menos nem sempre,a economia certamente exagera porque um princípio básico das teorias económicas é 'o comportamento racional'.E todas as conclusões tiradas a partir dos modelos e modelações económicas diferem muitas vezes da realidade,pois criaram uma hipótese errada a partir do início.Contudo, eles tentam explicar a realidade:):) e estão convencidos que é assim que é,que engraçado...


Tania